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Dojo TenChi - Sintra


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O Bar TenChi encontra-se aberto durante todos os eventos realizados no Dojo TenChi. Faz serviço de pequeno almoço, almoço (pratos quentes a partir de 6€) e snack-bar.
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Georges Stobbaerts :  Yoga
  (YOGA) – GEORGES STOBBAERTS BIOGRAFIA (Resumida)

A espiritualidade pode manifestar-se de múltiplas e diferentes formas,  por vezes inesperadas ou desconcertantes...

As Artes Marciais são, com efeito, um dos elementos iniciáticos de natureza cosmológica (antropológica), formadoras do espírito do despertar. Muitos daqueles que hoje as praticam consideram-nas como formas de desporto. Na verdade, há que admitir que o  limite entre Artes Marciais e Técnicas de Combate é ténue e difícil de definir... Mas, ao renegar-se a intervenção do espírito, renega-se também a descoberta de uma “via”.

Nascido em Marrocos e educado num país rico de tradições orientais, Georges Stobbaerts muito cedo despertou para as questões da espiritualidade pelo contacto diário com pessoas de diversas religiões. Desde muito jovem que foi interpelado pelo sagrado do Ocidente e do Oriente.

 

A fascinação do Zen, descobriu-a através do Judo tradicional, na delicadeza e estética das Katas antigas, ligadas à essência do verdadeiro Budo como “ via de integração espiritual”.

Nessa época, Georges Stobbaerts toma consciência daquilo que há a aprender nas outras culturas e coloca-se desde logo à escuta do conhecimento, tentando no seu ensino, até hoje, fazer uma ponte entre o Oriente e o Ocidente.

 

Sai de Marrocos para continuar os seus estudos e cumprir o serviço militar obrigatório, na Bélgica e na Alemanha. Com a colaboração do general do seu batalhão, funda o seu primeiro Dojo em Aix-la-Chapelle, com a designação “O Círculo da Arte da Doçura” (nome pouco comum para o exército). O Dojo é aberto às forças armadas da Nato, residentes na Alemanha. Faz demonstrações em diversas cidades, com os seus primeiros alunos e  acompanhado de Jacques Brel, que começava a ser conhecido pelas suas canções. Curiosamente, Georges Stobbaerts descobre o Yoga, através de um dos seus alunos, o Tenente Coronel Yseut, por sua vez aluno do filósofo C. Kerneiz .

 

Terminado o serviço militar, instala-se na cidade de Liège, continuando os seus estudos e trabalho, numa indústria onde faria uma carreira promissora. Apesar de tudo, abre um pequeno Dojo, numa sala das traseiras da igreja de Ans, para emigrantes italianos que trabalham nas minas. Pratica diariamente o Yoga e faz as suas próprias pesquisas. Phillippe de Meric envia-lhe, para Liège, documentos sobre o Yoga a conselho do seu amigo e aluno, Tenente Coronel Yseut.

 

Em Bruxelas conhece o reverendo padre católico Martin Vallarag, filho de pais indianos, que pratica Yoga com um pequeno grupo (naquela época o yoga não era tão conhecido como hoje). Este padre de origem indiana transmite-lhe com grande sensibilidade tudo o que sabe sobre o Yoga. Com ele, Georges Stobbaerts teve a oportunidade de trocar pontos de vista sobre o Yoga e a espiritualidade cristã.

 

O Yoga começa entretanto a organizar-se na europa, constituindo-se em diferentes federações.

 

Em 1969, Georges Stobbaerts participa no primeiro colóquio internacional de Yoga, organizado por André Van Lysebeth, no Palácio dos Congressos em Bruxelas, ocasião em que conhece yoguis indianos. Participa em diferentes seminários organizados por A. Van Lysebth que considera como um dos pioneiros do Yoga na Europa. É neste contexto que se encontra com prestigiados yoguis, tais como os Swamis Chithananda, Dhirendra, Bramachari, Satyananda, Dayanda e outros que volta a rever mais tarde, aquando da sua viagem à Índia.

 

A noção de não violência (ahmisa) foi importante na pesquisa de Georges Stobbaerts, especialmente na via das artes marciais. A vitória pela paz é o objectivo final dos seus próprios movimentos no Budo, prática  em que a técnica reflecte sempre a harmonia do gesto nos movimentos circulares.

No ano de 1978, Lanza Del Vasto, em Portugal,  referir-se-á a esta técnica nos seguintes termos: “...é um Yoga dinâmico...” e “... se Ghandhi fosse vivo teria encontrado a sua arma ideal”.

 

Na sua primeira viagem à Índia, visitou o Ashram de Sivananda Saravasti (1887–1963), nos Himalaias, que considerou o seu Yoga como o Yoga do Norte. Aí se encontrou com o Swami Chidananda com quem praticou durante alguns dias, seguindo depois viagem em direcção à nascente do rio Ganges. Permaneceu junto dos Yoguis que vivem nas grutas e dos Saddhus que se encontram perto das quedas de água de Bhâgirathi em Gangotrî.

É por esta altura que a Europa se envolve num maior aprofundamento  do Yoga.

 

Georges Stobbaerts interessou-se especialmente pelos Asthanga de Patanjali (Yoga clássico).  Recebe as traduções do Ashram e aprofunda-as.

 

Encontra-se várias vezes com Van Lysebeth com quem troca impressões sobre o futuro do Yoga no Ocidente, quer no seu Instituto, quer no Dojo do seu amigo Julien Naessens (pioneiro do Budo na Bélgica), onde Van Lysebeth fazia cursos para professores de Yoga.

 

É, no entanto, em Marrocos – Casablanca, 1963 -  que G. Stobbaerts inicia os seus primeiros cursos de Yoga. Frequenta diferentes encontros internacionais que se desenrolam na Suiça, em Zinal, considerado o mais importante lugar de prática do Yoga na Europa. Com a presença de numerosos yoguis provenientes da Índia, bem como de cientistas, pensadores e religiosos de diferentes correntes, Zinal tornou-se, na época, um lugar de referência.

 

Cria amizade com Gérard Blitz que o convida a fazer um seminário, em Zinal, sobre o Aikido e o Zen. Mais tarde e após a morte de G. Blitz, G. Stobbaerts dá uma conferência, também em Zinal, sobre uma das suas criações, o Tenchi Tessen.

 

Ainda em Marrocos, em Novembro de 1971, com a ajuda dos seus alunos e a colaboração do Dr. Claude Durix que foi um dos seus alunos de Aikido durante vários anos, recebeu no seu Dojo do “ Budo Club du Maroc”, o Mestre Zen Taisen Deshimaru, que vem pela primeira vez a África e funda nas instalações do próprio Dojo, o primeiro Dojo Zen do continente africano. O “Budo Club du Maroc” foi um lugar de encontros extraordinários a diferentes níveis, onde todos os praticantes do Yoga, do Budo ou do Zen, aprofundaram as suas próprias pesquisas. Nesta via do diálogo e da pesquisa colectiva encontravam-se padres dominicanos, cristãos, muçulmanos, sufistas, rabinos, agnósticos ou gnósticos.

 

Em 1972 estabelece-se em Portugal onde cria o Budokan de Portugal em Cascais, passando a residir definitivamente neste país. Paralelamente às diferentes actividades, ensina o Yoga e funda o Aikido em Portugal.

É neste Dojo que também inicia a prática de meditação Zen, realizando vários Seshin com a presença de Taisen Deshimaru acompanhado de Janine Monot."

É convidado pela Gulbenkian para leccionar, no Conservatório Nacional de Lisboa, antropologia teatral. Aceita o convite e aproveita para continuar o ensino do Yoga naquela instituição. É também nessa altura que edita o seu primeiro livro sobre Hatha Yoga, que será também o primeiro editado em Portugal sobre este assunto.

 

O Budokan de Portugal recebe numerosos alunos que participam nos seus cursos e que actualmente são professores no país e no estrangeiro. De entre os vários alunos poderíamos enunciar o nome de actores e actrizes de relevo, bem como o de personalidades da sociedade portuguesa, algumas ainda hoje praticantes.

 

Organiza numerosos seminários com a presença de diferentes yoguis oriundos da Índia. Colabora com o Embaixador da Índia na divulgação dos aspectos culturais, nomeadamente a dança.

Ao nível das pesquisas, são de realçar as experiências sobre os diferentes estados de consciência resultantes da prática da meditação, por meio do Bio-feedback e do EEG, bem como o estudo da respiração (Prânâyâma), que foi tema de um curso teórico e prático intensivo, durante dois anos.

 

Por volta de 1977, Georges Stobbaerts, no sentido de desenvolver as actividades do seu ensino e reflexão, dedicou-se à criação de um Centro de amplo espaço e silêncio, em plena natureza. Depois de adquirir um terreno com mais de 2 hectares, iniciou-se o projecto de construção. Na época, tal projecto dividiu alguns alunos, uns cépticos em relação à utopia e outros verdadeiramente entusiasmados.

 

Em 1978 o sonho do projecto TENCHI transformou-se em realidade, respeitando sempre o seu lema que, ainda hoje, orienta as suas actividades. Concretizou-se como realização colectiva, numa corrente de pensamento que ainda hoje toca numerosos aderentes. A cada um coube contribuir com a sua quota-parte de conhecimento, saber-fazer, tempo, relacionamento, trabalho,  materiais e energia...


Todas as suas actividades têm como princípios orientadores:

  • a reconciliação do Homem com a Natureza;
  • o desenvolvimento da pessoa individual.

 

TENCHI é um lugar de encontro, uma referência e simultaneamente um espaço de abertura. A sua prática pedagógica não é reservada a uma única disciplina, integra todas as artes que ajudam na transformação da abertura do coração.

Em TENCHI recebeu a visita de Lanza Del Vasto e proporcionou a vinda a Portugal de algumas individualidades. Aí se deslocaram Yoguis como Punjaji e Sri Sri Sri Satchitananda, este último em repetidas estadias.

Satchitananda é uma referência do Yoga e Georges Stobbaerts considera-o como um verdadeiro sábio. Praticante do Antar Mouna (Yoga do Silêncio) há mais de trinta anos, continua a ensinar com 93 anos de idade. Em 1961 privou com o Samadhi, em Sholapur.

O ensino da escola TENCHI está espiritualmente ligado à linha de Satchitananda, considerado o transmissor dos Rishis da Índia.

Georges Stobbaerts participou também em emissões de Televisão e seminários, falando sobre os gestos litúrgicos[5] no Instituto de Yoga por ele fundado e dirigido em parceria com os seus filhos, Geeta e Prashant. Trocam impressões sobre a verticalidade das posturas e aí observa a utilização de suportes e cintas para manter as ansanas, tal como no Yoga tibetano (Gom Tak) que vem da época dos Maha Siddha.

Visita também o Centro fundado por Maharashi Vinod,  sábio de renome, cujas actividades se desenvolveram quer no plano espiritual, em que se destaca como um grande pensador, filósofo e escritor, quer no plano científico, área em que trabalhou com eminentes cientistas,  nomeadamente A. Einstein.

No Sul, em Trivandrum, no Kérala, permaneceu algum tempo no centro de Kalarippayat [6] Sangham, arte marcial que se confunde com as origens do Yoga e que é, certamente, o antepassado das Artes marciais. Aqui se encontra com o grande mestre Narayanan Nair que lhe oferece produtos para aplicar no corpo (Ayur vedique), cuja composição permanece secreta e destinada exclusivamente aos grandes mestres de Artes marciais.

Os campos de conhecimento relacionados com os domínios do ser são, na nossa época, alargados com múltiplas experiências duma grande riqueza. Elas contribuem para a construção libertadora do ser interior, sem a qual nenhuma evolução é possível. Georges Stobbaerts insiste que “... TENCHI não está reservado ao pensamento de um único homem, é, pelo contrário,  um lugar onde deve haver uma integração de actividades e de pessoas ligadas a diferentes tradições, pois as diferenças ensinam a mais elevada tolerância”. Daí que a aprendizagem de novos conhecimentos, em TENCHI, se faça por meio de:

  • cursos regulares;
  • estágios de formação;
  • seminários nacionais e internacionais;
  • participação em grupos de pesquisa que estimulam a criatividade;
  • ateliers de reflexão versando realizações concretas:
    • Estudo de textos sagrados da Índia,
    • Estudo aprofundado do Yoga,
    • Estudo das artes da Índia (Dança, Medicina, Iconografia, Música),
    • Estudo das artes marciais indianas, como fonte de inspiração das artes do Budo.

    Georges Stobbaerts praticou com os Yoguis provavelmente menos conhecidos no mundo ocidental, no entanto, todos eles profundamente envolvidos na verdadeira tradição do Yoga. É essa  experiência que tem vindo a integrar e partilhar na sua escola. O seu ensino  prende-se à transmissão do Yoga autêntico, sem sectarismos, inserido no contexto do Ocidente.

     

     



    [1] Kata

    Literalmente, «forma» ou «molde».  Sequência de gestos formalisados e codificados. O Kata é, também, um ritual,  palavra que vem da raiz sânscrita «riti», que significa  «fluir ou ir em direcção a» quer dizer ir em direcção à fonte, subentendido, «DO» a Via.

    O Kata é como uma asana para o yogui, ele deve encontrar a atitude correcta, que exprima a realização da sua Unidade exterior e interior.

    Para compreender o segredo do kata, Georges Stobbaerts cita  um versículo do Corão que pode ajudar-nos à sua compreensão: «Na alternância da noite e do dia, na mudança dos ventos, nas nuvens que estão adstritas ao serviço entre o Céu e a Terra, em todas as coisas existem sinais para aqueles que compreendem…» (Vers.II-64)

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    [2] Jacques Brel – conhecido cantor, cujo irmão, Pierre, foi praticante de Yoga.

    [3] C. Kerneiz – Pseudónimo de Félix Guyot. Foi o primeiro professor de Yoga em França. Teve como alunos os célebres professores Lucien Ferrer (1901-1964) e Phillippe de Meric (1914 -1991).

    [4] O Padre Peter Stilwell professor de teologia da Universidade Católica de Lisboa e o padre Rego, colaboraram nestas emissões, demonstrando os gestos simbólicos da missa.

    [5] Iyengar – é um Yogui muito conhecido dentro e fora da Índia, considerado como uma autoridade no Hatha-Yoga. Possui um Instituto em Poona onde recebe alunos de todo o mundo.

    [6] Kalarippayat- de origem mítica, é uma Arte praticada pelos Gurukal, discípulos do Deus Parasurama, para manter a Paz. A sua figura de referência, Drona, é o mestre de artes marciais, herói do Mahabharata.

    Luís de Camões escreveu sobre esta arte aquando das suas viagens ao sul da Índia. (Estariam aqui as origens do Jogo do Pau?)

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