Dança do Sopro


O espectáculo Dança do Sopro realizou-se no dia 4 de Julho de 2001, às 21 h. 30, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém.
A direcção foi da responsabilidade de Georges Stobbaerts Hanshi e Luís Damas.

A Dança do Sopro, encontro da dança ocidental com as Artes do Budo, artes vindas do Oriente, é uma tentativa de mergulhar na atmosfera mágica do sopro e do movimento.
A Dança e o Budo têm, para além de uma semelhança, a mesma raiz e os mesmos objectivos. O aspecto semelhante é óbvio de imediato, porque ambas as artes têm um lado coreográfico, sonoro e gestual, mais ou menos expressivo ou mais ou menos interiorizado. A raiz é idêntica porque a respiração é essencial, o corpo é o mesmo e movimenta-se na tentativa de alcançar o equilíbrio, de realçar e explorar novas formas ou até de se confundir com a natureza. Os objectivos são idênticos ainda, porque, em ambos os casos, se pretende um espírito desperto, em estado de alerta, e disponível para o imprevisto. Na Dança e no Budo, as situações apresentam-se, por vias diferentes mas convergentes, como que envoltas por um encantamento onde a busca da beleza nos revela a essência da Arte.

1. O Budo, tal como nos chega do Oriente, associa o corpo e o espírito e convida o homem a viver na coexistência do presente e do futuro, que encontra a sua tradução máxima na expressão «aqui e agora». Quaisquer que sejam as disciplinas e as escolas em causa, as Vias do Budo ensinam, sob formas aparentemente diversas, um conjunto de técnicas e sobretudo um modo de adaptação ao real. Feitas de experiências e gestos vividos, todas exigem entrega e a transformação daquele que nelas se inicia. Das muitas disciplinas que compõem o Budo, abordam-se neste espectáculo as de Iai-Do, Kendo, Karate-Do, Judo, Tenchi-Tessen e Aiki Do.

  • O Iai-Do, que significa literalmente a «Via do Sabre e da bainha», é a arte de manusear o Sabre, uma das mais nobres na hierarquia do Budo.
  • O Kendo ou «Via do Sabre» é a esgrima japonesa, em que se combate frente a frente. Praticado com armaduras e, desde o século XIX, com um sabre de bambu (shinai), o sabre verdadeiro (katana) é reservado para a prática de exercícios codificados, designados "Kata", que, repetidos incansavelmente, constituem o estudo mais importante no Kendo.
  • O Karate-Do, cujo termo resulta da junção de Kara (vazio), Te (mão) e Do (via), é uma arte de combate de mão nua, em que pés e mãos servem para manter o adversário à distância e atingir os seus pontos vitais. Decorrendo o significado de Kara (vazio) da filosofia Zen, a «mão vazia» surge como a procura de um estado de espírito que faz a ponte entre o Zen e o Budo.
  • O Judo, talvez a arte marcial mais conhecida, foi criada no fim do século XIX por Jigoro Kano e à letra designa a «Via da flexibilidade».
  • O Tenchi-Tessen, criado em 1985 por Georges Stobbaerts, é a arte em que o leque substitui o sabre. Envolvendo o corpo e o sopro, pondo em harmonia movimento, som, música e silêncio, permite, entre outras coisas, descobrir a quem o pratica a sua estrutura espacial.
  • O Aiki Do, criado por Morihei Ueshiba, tem por base a unidade do homem, expressa, desde logo, na etimologia da palavra: Ai (união, harmonia), Ki (energia vital, sopro) e Do (via). O seu segredo consiste em criar o vazio e em dirigir a energia do parceiro contra ele próprio, procurando encerrá-lo numa grande esfera. O Aikido pode definir-se como a arte da não resistência, que sai sempre vitoriosa.

2. A Dança. Arte do gesto por excelência! Emanação suprema dos mais altos valores vividos profundamente nos corpos, que alargam os seus limites. Esperança de não serem precisas mais palavras para o que é evidente. Dança, a janela mais profunda da alma.

A Companhia de Dança da FMH-UTL, criada em 1999 pelo Professor Luís Damas, com a aprovação dos órgãos directivos da Faculdade, visa dinamizar, promover, estimular e complementar a formação técnica e artística dos alunos. Desde o seu início e no seu curto tempo de vida, tem sido gerida altruisticamente e funcionado como verdadeiro centro de formação e treino dos mais variados ofícios e práticas ligados à dança (ensaiador, produtor, responsável de guarda-roupa, direcção de cena, direcção de luzes, coreógrafo, bailarino, aderecista, figurinista, cenógrafo, professor, estagiário e designer). Tendo colocado alunos a coreografar, contou ainda, na qualidade de convidados, com o trabalho de coreógrafos exteriores à Faculdade, de que são exemplo Isabel Baptista, Sherrie Barr e Isadora Morais. Aberta às várias tendências da dança, no curto espaço de dois anos, conta já com vinte coreografias no seu repertório, nove das quais estreadas em 2001. Neste espectáculo, a Companhia de Dança da FMH - UTL mostra vários coreógrafos e coreografias, que revelam momentos e percursos íntimos. (apresenta várias coreografias que revelam momentos e percursos íntimos dos seus coreógrafos). Participam neste espectáculo a Professora Elizabete Monteiro e os alunos Cristiana Alves, João Alves, Luís Antunes, Patrícia Macedo e Maria João Santos. E, como coreógrafos exteriores à instituição, Isabel Baptista e Sherrie Barr.

A Dança do Sopro é pois o resultado do trabalho da Companhia de Dança que, através de diferentes coreografias, revela mundos de outra forma indizíveis. É o resultado, enfim, de longos anos de pesquisa de Mestre Georeges Stobbaerts em Artes Marciais e cujo encontro com a dança, feito em conjunto com o coreógrafo Luís Damas e a interpretação ao vivo da violoncelista Teresa Portugal Núncio, constitui experiência inédita.

PROGRAMA - PRIMEIRA PARTE


Quadro 1 - O Sabre e as origens (Kendo)
Responsável: Filipe Chamorro

Quadro 2 - As linhas do Sopro (Kata de Karate-Do)
Responsável: Ricardo Teixeira

Quadro 3 - A criação da forma (Kata de Jô)
Responsável: António Piano

Quadro 4 - Itsutsu no Kata - Os cinco princípios (Kata de Judo)
Responsáveis: Jorge Trigo de Sousa e Raul Pinto
Música: M. Ravel, Daphnis et Chloé

Quadro 5 - «Nascimento» (Iai-Do)
Responsável: Georges Stobbaerts


Quadro 6 - A procura da harmonia (Aiki Do)
Responsável: Manuel Galrinho
Músicas: Michael Nyman, The Cook, the Thief, his Wife and her Lover; Wim Mertens, Educes Me; Gérard Widmer e Willi Grimm, Odem; Stephan Micus, The Music of Stones

Quadro 7 - Entre o Céu e a Terra (Ten-Chi Tessen)
Responsáveis: Ana Oliveira e Miguel Raposo
Música: Ondekoza Group, Ondekoza Typhoon; J. S. Bach, Sonatas para Flauta, BWV 1013

Quadro 8 - A unificação do Ki (Aiki Budo)
Responsável: Georges Stobbaerts

Quadro 9 - A flor do gesto (Dança-Budo)
Responsáveis:Georges Stobbaerts e Luís Damas
Violoncelista: Teresa Portugal Núncio
Música: J. S. Bach, Suite para Violoncelo



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